quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A origem da prática do Jejum

Em Marcos 2. 18-22 vemos um debate a respeito do jejum instigado pelos discípulos de João Batista e pelos fariseus onde Jesus expressa alguns esclarecimentos a respeito. Claro que esta não é uma primeira palavra, pois Jesus já havia abordado o assunto no Sermão da Montanha, mas há grande importância aqui no que tange a abordagem ritualística do tema.
Antes de entender o jejum como um ritual religioso é preciso entender sua origem e suas motivações, não irei buscar distante notas do assunto, antes me fixarei apenas no relato Bíblico. É importante que fique claro que o jejum não é uma exclusividade judaico-cristã, pois podem-se observar manifestações em outras culturas e religiões.
- As duas vias do jejum:
Dentro da cultura judaico-cristã a prática do jejum embrenhou-se por dois caminhos, ainda que algumas vezes não pareçam distintos, são bem definidos. Um é o caminho da prática ritualístico-legalista, via dos que entendem que religiosidade resume-se em práticas religiosas visíveis, fato condenado por Jesus em Mateus 6. 17ss, e por Paulo em Gálatas 4. 9-11.
Outro caminho é o da auto-disciplina espiritual, ou seja, é questão de abster-se com fins específicos, para a prática de atividades maiores, prioritárias, que exijam concentração de corpo e alma, como descrito por Paulo em 1 Coríntios 9. 24-27.
- Quando o jejum foi instituído:
Biblicamente o jejum foi instituído como prática nacional, um dia especial de oração, contrição, arrependimento e confissão de pecados, e meditação na grandeza da misericórdia do Senhor. É o Iom Kupur, ou Dia do Perdão, até hoje observado pelos judeus. Sua origem encontra-se em Levítico 16. 29-31 e textos relacionados.
- O primeiro a jejuar:
Lembrando que mantenho-me preso ao relato bíblico, a informação que temos como o primeiro a praticar o jejum encontra-se em Êxodo 34. 38, quando Moisés ficou quarenta dias e quarenta noites sem se alimentar no monte Sinai. É claro que há momentos que podemos presumir que alguns personagens bíblicos haveriam jejuado, como Abraão a caminho do monte Moriá, ou Ló em fuga de Sodoma, mas como relato direto Moisés teria sido o primeiro a jejuar.
- Razões motivadoras do jejum na antiguidade:
A primeira motivação que podemos enumerar é a busca pela santificação, ou o incentivo a ela. Os textos que regulam o Dia do perdão nos indicam com clareza esta prática antiga, da abstenção relacionada à busca da santificação do corpo e da alma.
A segunda motivação antiga é a dedicação exclusiva a Deus. Como Moisés no monte em seus quarenta dias, não exatamente de abstenção, mas de dedicação total a Deus em função da grandeza da obra que estava sendo colocada sobre seus ombros.
A terceira e bastante comum é abstinência motivada pela tristeza ou contrição. Acontecia quando um fato marcava a comunidade ou a pessoa e podiam ser, até mesmo convocados ou proclamados, para que se expressasse uma manifestação de lamento público (Jz 20. 26; 1 sm 20. 34; 1 Sm 31. 13).
É claro que hoje os diversos grupos cristãos existentes praticam o jejum das mais variadas formas e com múltiplas motivações, mas em sua origem bíblica eram estas as razões para a sua pratica, a santificação, a dedicação a Deus e o lamento, ou tristeza. No próximo texto abordaremos as motivações erradas para a prática deste e o que Deus espera que nos motive à prática do jejum.

Pastor Tito Mendes

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