quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O que não se deve buscar em uma Igreja

O que não se deve buscar em uma igreja, segundo os princípios Bíblicos Neotestamentários

Lembro-me a primeira vez que busquei uma reunião evangélica. Estava com muitas dores nas costas, fruto de um acidente de trabalho que afetou minha coluna, recentemente transferido de seção de meu primeiro emprego, do qual, só não fui demitido porque a empresa não o fazia, preferia que o empregado pedisse a demissão. Muitas são as razões porque as pessoas procuram as igrejas, e quando buscam por tais motivos é porque assim lhes são oferecidas – cura, prosperidade, alegria, felicidade, bem-estar – será que são razões pelas quais se devem procurar uma igreja, ou não será possível encontrar quase tudo isso com um bocado de dinheiro em um grande shopping center?

Em primeiro lugar, em uma igreja não se deve buscar alívio e descanso. Segundo Mateus 11. 28-30, alívio e descanso são encontrados em Jesus, Ele diz: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei”, estas coisas são encontradas Nele e não exatamente na igreja. Há duas palavras gregas usadas para definir igreja no Novo Testamento: “eklesia” e “sinagogê”, eklesia aponta para a missão principal da igreja, são aqueles que são “chamados para fora”, traduz-se numa assembléia que, sob o comando de seu líder, Jesus, atendem ao que aponta para o “ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”, Mc 16. 15. O segundo termo, sinagogê se traduz por congregação, não um local de repouso mas de edificação, apoio, irmandade, ajuda, construção de relacionamento familiar, crescimento espiritual e adoração ao Deus Único e Verdadeiro, Jesus, Hebreus 10. 19-25; Romanos 12. 1-21.

Em segundo lugar, não se devem buscar em uma igreja posição, proeminência, status ou reconhecimento. “Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.” Mateus 23:8-11. Somos ávidos por hierarquia, queremos ser pastores, missionários, ministros de louvor, porque ser isso é ser diferente, é ser melhor, mas não foi assim que o Mestre ensinou.

Em terceiro lugar, não se deve buscar uma igreja para se salvar. Igreja, entenda aqui instituição eclesiástica, denominação evangélica ou protestante, igreja romana ou grega, ou qualquer instituição humana que se diga cristã, igreja nenhuma pode salvar. Não há nenhuma instituição na face da terra que possa se intitular o caminho da salvação, não segundo os ensinamentos de Jesus Cristo. Ele mesmo disse: “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida, ninguém vem ao Pai a não ser por Mim”, João 14. 6. Você pode até não ser membro de nenhuma igreja institucional conhecida, mas pode ser salvo pela fé em Jesus Cristo, através do arrependimento e perdão dos pecados pelo Salvador, 1 João 1. 9; João 3. 16-18. Encontre outros como você, compartilhe sua fé, glorifique a Deus e ali haverá uma igreja Neotestamentária.


Quero te dar um conselho, não procure uma igreja, procure o que você realmente precisa, se você precisa se reconciliar com o Criador, você não precisa de uma igreja, você precisa de Jesus, ao buscar o Reino, busque o Rei primeiro: “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6:31-33.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O Novo e Vivo Caminho

Há mais de vinte e sete anos tenho andado nos átrios cristãos, com altos e baixos, quedas e reconciliações. Nos últimos anos tenho questionado nossa maneira de ser, nossa prática cristã evangélica, nossa cultura herdada de aproximadamente quinhentos anos. Ainda que nós, os chamados batistas, nos consideremos herdeiros do cristianismo genuíno, originado em Jesus, ou em João Batista (Teoria JJJ, “O Rastro de Sangue”), na verdade somos todos herdeiros de Martinho Lutero e João Calvino.

Zwinglio, Lutero, Calvino e outros que nos trouxeram a Reforma deram um passo colossal em relação à cultura em que viviam, porém não ousaram uma reforma completa, ou melhor, um retorno ao cristianismo genuinamente bíblico, puro e imaculado. O cristianismo congregacional, não hierárquico, ou melhor, centrado em um único Sacerdote, um só Pastor, Jesus Cristo. Onde a igreja não está relacionada a algo feito por mãos humanas, mas a um edifício feito de tijolos vivos, pedras vivas.

Qualquer instituição humana, mesmo que denominada cristã, não pode ser chamada de igreja, pois a Igreja genuína, foi fundada, estabelecida, emancipada pelo Espírito Santo como registrado em Atos dos Apóstolos. Jesus é o seu fundador e o seu Alicerce. Esta Igreja não pode (e nem deve) ser contida nem representada por tijolos e concreto, por estatutos e registros cartoriais. Não é uma igreja de papel nem de projetos humanos. Jesus a aboliu de templos e de instituições e lhe deu vida, vida espiritual e orgânica.

Jesus é o poder desta igreja, a sua igreja, prometeu estar com ela todos os dias, disse a ela “ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar todas as coisas que vos tenho mandado”. Jesus não pôs sobre a igreja nenhuma espécie de muro ou limitação. Não edificou nem ordenou edificação de templos, pois isso conteria e limitaria o poder da igreja, que é o Seu Próprio poder.

Quando o véu se rasgou de alto a baixo deus a qualquer um acesso direto a Deus, pelo sangue de Jesus, nos libertando de sacerdotes humanos, líderes espirituais, pois temos um único Sacerdote sobre a casa de Deus, a igreja, o templo vivo, do qual saltam rios de águas vivas. De outra forma nos deu um sacerdócio universal, pois deu poder a todo aquele que crê acesso direto a Deus, poder sobre os espíritos malignos, poder para fazer discípulos, poder para batizar, como o diácono Felipe, poder que hoje atribuímos a uma única pessoa, o pastor.

Aliás as nossas igrejas são de quem? Do pastor A, do pastor B? Do missionário X, do apóstolo Y? Quando a igreja voltará a ser de Jesus? Quando nós deixaremos de nos cercar dos muros denominacionais? Quando voltaremos a nos olharmos como iguais, sem hierarquias, onde todos podem falar, todos podem edificar, todos podem admoestar, sem títulos, sem primazias? Quando devolveremos a liderança da igreja a Jesus?