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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Da Simbologia à Hipocrisia



A religião sempre foi acompanhada de pompas, vestes, composturas e ritos, e ainda hoje é assim. Quem não põe sua melhor roupa, e não usa seu melhor perfume antes de sair de casa para participar de seu culto religioso? Quem não cumprimenta o próximo com a devida saudação “A PAZ DO SENHOR, IRMÃO”? Assim foi e assim tem sido em todo ambiente religioso. Os clérigos com suas pompas, suas vestimentas destacadas, a gravata do pastor, a saia longa da obreira, o coque da irmã.

Na verdade somos herdeiros das religiões antigas, o sacerdócio hebreu, com seus mantos de linho azul, seus turbantes e ornamentos, suas mitras, suas práticas de sacrifícios, rituais litúrgicos, convocações solenes, orações e jejuns. Tudo como fruto de uma simbologia de adoração ao Deus Santo e Justo, cuja presença abomina a impureza e o mal. Cuja presença percebia-se preciosa, como as pedras engastadas no peitoril. Adoração a Deus que provia as necessidades, mas que para lembrar a possibilidade de escassez oferecia-se os jejuns.

Assim também procederam os fariseus, os saduceus, os essênios, seitas de práticas religiosas contemporâneas de Jesus, que por símbolo representavam sua tristeza, sua santidade, seu legado. Porém tais práticas levam a caminhos escuros, tais rituais insinuam uma raça especial, uma categoria superior, uma santidade mais elevada, se me permitem a redundância.

A Didaquê, documento mais antigo do cristianismo, fora da Bíblia, faz uma recomendação com base em uma referência específica, que o crente devia jejuar em dias diferentes dos hipócritas (judeus), Didaquê cap. VIII. Não estariam assim entrando também em um caminho de hipocrisia?

Decerto que, se nos dirigimos a um lugar que exija solenidade, não podemos nos apresentar de qualquer maneira, como se diz, “diante do juiz, não pode apresentar-se mal vestido”. Mas até onde vai o limite da compostura? Então não teria acesso ao juiz aquela viúva pobre? Não creio que ela tivesse uma bela roupa, sendo o juiz tão impiedoso…

Somos todos hipócritas quando julgamos nossa espiritualidade maior que a do outro, quando achamos que nossas práticas nos justificam mais que a dos outros, quando deliramos pensando que nosso grupo religioso é mais correto que o do outro, quando dizemos que lemos mais a Bíblia, quando propagamos que oramos de madrugada, ou quando convocamos nossos jejuns ou convidamos “visitantes” para nossas celebrações cíclicas e engordamos nosso orgulho contemplando nossos salões lotados ou nosso público exuberante.

Não consigo ver Jesus em palanques refrigerados, com roupas de grife, proferindo um sermão como o do Monte, a um grupo de pessoas refinadas, bem vestidas e perfumadas em poltronas de primeira linha, com som ambiente, suave e harmônico, harpejado por levitas profissionais e um coro “celestial”. Vejo Jesus à beira do caminho, ou sentado na grama, com pessoas simples, crianças remelentas, pobres trabalhadores fedidos e Ele, sorrindo e dizendo - “Não sejam como os hipócritas”.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Veio a Quem a Palavra do Senhor?


Uma elucubração a respeito dos falsos profetas
Vivemos em um mundo cheio de pregadores estilosos e mensagens empolgantes. Essa é a era magna do discurso e da aparência. Muita gente parece boa, muito discurso parece certo, mas certamente é bonito. Por isso há necessidade de se avaliar o que é certo ou não em meio a tantas opções. Será que tudo que ouvimos é a palavra de Deus? Será que todos estes pregadores são profetas dignos de audição? Creio que não podemos dizer que sim. A segunda carta de Pedro nos diz que, assim como houve falsos profetas, haverá falsos mestres, 1 Pe 2. 1. Como podemos então distinguir o que é falso do que é verdadeiro?
A Palavra nos diz que devemos provar os espíritos (1 Jo 4. 1). Para tanto precisamos saber o que é um profeta. Um profeta é aquele que: é chamado por Deus, 1 Samuel 3. 1; aceita de bom grado, Isaías 6. 8; reconhece suas limitações, Jeremias 1. 4-9; recebe capacitação plena de Deus, Ezequiel 2. 1-10 e não vive do título de profeta, Amós 7. 14-15; Atos 20. 33. Precisamos também saber que todos somos sacerdotes, reis e profetas quando estamos cumprindo os propósitos de Deus, pois o ministério da fé, nos dias de hoje, é para todos, não é algo exclusivo a alguns (1 Pe 2. 9-10).
Porque então existem falsos profetas, por que Deus os permite?
Deus os permite para que, por meio deles, sejamos provados (Dt 13. 3). Não para que Ele conheça quem é fiel ou não, pois Deus conhece nossos pensamentos e intenções, mas para que nós mesmos conheçamos quem somos, se temos maturidade para discernir o bem, e não somos levados por qualquer vento de doutrina que aparece. A prova portanto é para nós.
Qual é a sua mensagem?
Os falsos profetas proferem mentiras (Jr 23. 25-26), Falam de coisas não ditas por Deus, distorcem a Palavra de Deus, fortalecem a mão dos malfeitores (Jr 23. 14), incham as almas inconstantes (2 Pe 2. 14), inflamam de desejos superficiais aqueles que buscam alguma verdade (2 Pe. 2. 18). A mensagem da moda é prosperidade e saúde, como se a morte e a pobreza pudessem ser evitadas (Hb 9. 27-28; Mt 6. 19-21).
O que levam as pessoas ao caminho da falsa profissão religiosa?
O primeiro motivo é a atratividade (At 20. 30), a busca pela sensação de liderança, a síndrome do pastoreio: “tenho minhas ovelhas, eu sou pastor, bispo ou apóstolo”. Outro motivo é a demonstração de poder (Mt 24. 24), curas, sinais, indumentária, “palavras mágicas”, mantras, gestos especiais, cumprimentos distintivos com o objetivo de destaque e de proeminência. E, talvez, o pior de todos, a motivação financeira (Mq 3. 11; 2 Pe 2. 3), a usura, a cobiça e o amor ao dinheiro, que é a raiz de todos os males (1 Tm 6. 10), qual de vós, pastores, que porventura leiam este artigo, já não sofreu em alguma sessão decidindo o seu salário?
Jesus é o Profeta (Dt 18. 15-18), o Sacerdote (Hb 7. 21-22), o Rei Eterno, o Messias, o Caminho, e a Verdade, e a Vida (Jo 14. 6), não há verdade fora dEle, Ele é o assunto de quem fala a Verdade, as Palavras são dEle, Ele é a porta, Ele é o que entra pela porta, Ele é o Pastor (Jo 10. 11), o único Pastor (Ec 12. 11), as ovelhas são dEle, Ele mesmo diz que “quem não entra pela porta é ladrão e salteador”, é “lobo” e “mercenário”. O falso profeta é o ladrão e mercenário, quer arrebatar as ovelhas, mas quem segue o ladrão e mercenário, não é de Deus, "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem" (Jo 10. 27). Aqueles que dão ouvidos aos falsos profetas não estão isentos do juízo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Será que somos gratos?


Após assistir a um vídeo do neurocientista Pedro Calabrez sobre gratidão (link no final do texto) fiquei bastante contemplativo, o assunto colou em minha mente de tal forma que não consigo pensar em outra coisa desde então. Tenho pensado em todos os tipos de gratidão que podem haver no meio do povo de Deus e, até mesmo, em sua ausência, e quais os efeitos disso em nossas vidas.
Segundo o citado neurocientista existem três tipos de gratidão, a gratidão automática, a gratidão passiva e a gratidão ativa. A primeira refere-se as nossas formas corriqueiras de se expressar, seja em nossas interlocuções interpessoais diárias ao vivo ou online, como “tá bom”, “tá ok”, “legal” ou “obrigado”. A segunda trata-se de quando acontece algo especial, como o nascimento de um filho ou neto, a conquista de um emprego, uma promoção ou algo semelhante, coisa que não acontecem com frequência. Já a terceira forma de gratidão é característica de quem busca reconhecer as coisas boas que acontecem cotidianamente, tomando consciência de que há sempre um bom motivo de gratidão, ainda que simples, apesar de todos os males que nos advêm.
Creio que em nosso caso o assunto não é tão simples. Pois numa breve reflexão detectei mais dois tipos que a neurociência não relacionou. A falsa gratidão e a falta de gratidão, que não podem de forma alguma deixarem de ser abordadas quando tratamos de assunto tão importante.
Qualquer leitor da Palavra de Deus perceberá a importância de se ter um espírito grato. "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." (1 Tessalonicenses 5:18). Parece-me que, apesar das janelas dos céus estarem abertas sobre as nossas vidas repletas de bênçãos (Efésios 1:3), jamais as aproveitaremos plenamente se não entendermos o significado de gratidão. Aliás qualquer dicionário expressará muito pouco de seu significado, nem pretendo, neste texto, apontar uma resposta plena a tão grande questão.
A primeira questão é se a gratidão pode ser classificada como um sentimento, creio que em parte sim, mas não exclusivamente. Nada na vida do crente deve limitar-se a um simples sentimento. Crente não vive de sentimentos, nossa vida não deve ser contemplativa, deve ser uma vida de atitude, assim como nossa gratidão, se não a expressarmos de alguma forma ela não será plena. Não como os três valentes de Davi, em 2 Samuel 23:15-17, que, de forma inapropriada, buscaram honrar o seu rei através de uma atitude imprudente. Mas em Lucas 17:12-19 há um relato interessante, dez leprosos são curados por Jesus, sendo que apenas um retorna para agradecê-lO. O samaritano voltou e, assim, foi abençoado com algo maior que a cura de sua lepra, alcançou a graça da Salvação por meio da Fé.
O segundo ponto é se a gratidão pode ser ignorada. Nada na vida deve ser ignorado. Cada experiência, cada atitude a nosso favor, ou mesmo contra nós, cada evento em nossas vidas tem o seu devido valor e por isso deve ser reconhecido aliás, gratidão resume-se a isto, reconhecimento de valor. Voltando ao texto de Lucas 17, nove dos que foram curados foram incapazes de valorar a cura que receberam, preferiram estribar-se no cumprimento da Lei, pois segundo esta, o sacerdote era aquele que os declararia oficialmente curados e, diferente do samaritano, não experimentaram a graça salvadora.
Outro ponto que deve ser levado em consideração é a falsa gratidão. É o que acontece quando alguém dá mais valor a si próprio que àquele que o favoreceu. Observe o seguinte texto: "O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (Lucas 18:11-12). Quem está sendo honrado nesta oração? O Deus a quem ele dá graças, ou o fariseu por suas “qualidades” e “dons”? Quantas vezes você deu graças a Deus por ser Cristão, ou por ser casado, ou solteiro, ou por trabalhar em tal lugar, em detrimento a alguém que estivesse em situação diferente ou “inferior” à sua?
O ponto central de uma vida de gratidão está na direção desta. Existem três direções possíveis, vertical, horizontal ou interior (para dentro). Não preciso dizer que a terceira opção é a escolha egoísta do fariseu do parágrafo anterior e que nem precisamos considerar. A primeira é vertical, em direção a Deus, "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (I Tessalonicenses 5:18). Ele é o Criador, o Doador da Vida, que tudo faz em nosso benefício, "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8 : 28). A segunda é horizontal, em direção ao próximo, "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Romanos 12 : 10), e "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (I João 4 : 20). Na maior parte das vezes não temos como expressar a gratidão como atitude a Deus mas, quando atribuirmos valor ao próximo estamos fazendo a Deus também.
Uma vida de gratidão é uma vida de valor, de qualidade, bem vivida, melhora não apenas a sua vida, mas a vida daqueles que vivem ao seu redor. Encontre diariamente motivos para ser grato, seja grato a Deus, expresse sua gratidão a quem Deus tem usado para abençoá-lo. Quero repassar-lhe o desafio das três bênçãos, de Pedro Calabrez, no final de cada dia anote três motivos de gratidão, não precisa ser algo grande, você verá que coisa boas acontecem todo dia, escreva em um caderno, escreva ao lado porque aquilo é uma bênção, caso seja uma atitude de alguém, escreva porque você acha que a pessoa fez aquilo por você, escreva com suas próprias mãos, não use meios eletrônicos, isso fará uma grande diferença. Faça esse desafio por, pelo menos trina dias e veja a diferença que isto fará a você.
Quero agradecer ao neurocientista Pedro Calabrez que me fez refletir em todas estas coisas, quero agradecer também ao meu irmão e amigo Renato Pompei que muito contribuiu com esta reflexão e a Deus por mais esta oportunidade de contribuir para que outros reflitam sobre assunto tão importante.
Link do vídeo:


sexta-feira, 30 de março de 2018

O Último Sacrifício




Sei que páscoa chegou e com ela mais um feriado. Sei o que esta data significa para os dias de hoje, nada além do comércio do chocolate, eu mesmo já gastei alguns reais com ovos e bombons. Mas por trás deste feriado há um significado maior, a Páscoa, o sacrifício do cordeiro que morre pelo primogênito dos filhos de Israel e que traz liberdade ao povo ainda cativo. Páscoa é o sacrifício do cordeiro, do Cordeiro que foi morto para nos libertar dos pecados (Ap 5.12; 13.8; Mt 1. 21). Talvez hoje alguns religiosos estejam fazendo seus sacrifícios. Novenas, procissões, abstinências, missas ou cultos. Será que Deus espera ou necessita dos sacrifícios que temos oferecido? Será que sabemos o significado de sacrifício?
sacrifício (s.m.)
1 Ação ou efeito de sacrificar(-se).
2 Oferenda de animal, produto de colheita ou de qualquer coisa de valor, feita a uma divindade para lhe tributar homenagens ou para reconhecimento do seu poder.
3 A pessoa ou coisa sacrificada.
4 Renúncia ou privação voluntária por motivos morais, religiosos ou práticos.
5 Privação financeira em benefício de alguém.
Apesar de carregar um grande significado o sacrifício jamais foi o fundamento da relação entre Deus e o homem (1 Sm 15.22), obedecer, ou ter fé (Rm 4.3) sempre foi e será mais importante, veja os textos a seguir:
"Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste." (Salmos 40:6)
"Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos." (Salmos 51:16)
"Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus." (Salmos 51:17)
"Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal." (Eclesiastes 5:1)
O religioso faz muitos sacrifícios, priva-se de alimentos, faz jejum, guarda o sábado, “entrega” o dízimo, mas não ampara o oprimido, não leva alento ao aflito, não comunica com os santos nas suas necessidade, não é hospitaleiro. Pensa que pode comprar um status de fé ou de salvação através dos atos religiosos, através de uma prática regular, por meio de um farisaísmo moderno, cultural, que esconde a verdadeira essência da fé e afasta as pessoas de encontrarem a verdade das Escrituras. "Não me compraste por dinheiro cana aromática, nem com a gordura dos teus sacrifícios me satisfizeste, mas me deste trabalho com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniqüidades." (Isaías 43:24).
Deus não se agrada de nossos sacrifícios, há um único sacrifício que o agrada, o de Jesus, o Cordeiro que foi morto, cujo sangue nos purifica de todos os pecados, cujo sacrifício nos comprou para Deus e apagou e pagou todas as nossas dívidas. "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." (Apocalipse 13 : 8). De maneira nenhuma por nossos méritos, de modo nenhum por nossas ações, mas por Graça, Efésios 2. 8-10, portanto não devemos nada, não devemos sacrifícios, não devemos sábados, não devemos dízimos, nada devemos a Deus, pois se devêssemos, jamais poderíamos pagar.
O último sacrifício foi feito por Jesus (Hebreus 10:12), e o fez por nós, claro, ele venceu o sacrifício, ressuscitou, vive! Por isso é eficaz. Assim como Jesus fez sacrifício por nós, hoje o nosso sacrifício é vivo, santo e agradável a Deus e qual é o sacrifício agradável a Deus? Aquele sacrifício que fazemos pelo outro e não por nós mesmos, é o sacrifício do amor, do perdão, do auxílio, aquele sacrifício que Tiago chama de “religião pura e imaculada” (Tg 1.26-27).

sábado, 10 de março de 2018

Aos meus amigos Pastores


Na nossa língua há palavras que, apesar de sinônimas, têm em seus significados particulares uma complementaridade significante (sem querer ser redundante). Veja o exemplo de “roubar” em relação a “furtar”. Ambos significam apropriar-se de algo que não lhe pertence porém, “roubar” denota o uso da violência, através da coação ou algo parecido. Existem ainda outras palavras que têm um significado próximo ou parecido, como por exemplo, “extorquir” ou “defraudar”, esta última, inclusive, dá uma tonalidade mais suave à ação de “roubar”.
Houve um homem, nos dias do ministério de Jesus nesta terra, chamado Zaqueu, que resolveu abrir as portas de seu coração ao Mestre e entregou-lhe a sua vida. Este homem era Publicano, ou seja, um judeu que, a serviço (assalariado) dos romanos, cobrava impostos ao seu povo e, em sua maioria, o extorquia, cobrando além e guardando para si, claro, sem que os romanos tomassem conhecimento disso, mas que era percebido pelo seu próprio povo, sendo assim, por eles discriminados. Zaqueu então, visto que havia acumulado riquezas, tanto do salário romano, quanto de suas fraudes, faz um compromisso com sua nova Vida: Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. Lucas 19:8 (NVI)
A maioria das nossas versões da Bíblia não traduz “se de alguém extorqui alguma coisa”, mas “se em alguma coisa tenho defraudado alguém”, claro que o significado é o mesmo, mas o peso é diferente, visto que o ponto da Lei Mosáica a que se refere Zaqueu encontra-se a seguir: “Se alguém roubar um boi ou uma ovelha e abatê-lo ou vendê-lo, terá que restituir cinco bois pelo boi e quatro ovelhas pela ovelha.” Êxodo 22:1 (NVI). Zaqueu estava dizendo, não que devolveria o seu salário aos romanos, mas que devolveria o produto de sua extorsão ao seu povo, conforme os ensinamentos da Lei.
Aos meus amigos pastores batistas que tentam me calar, dizendo que tenho que devolver os salários recebidos por cerca de quatro anos e meio, faço as seguintes questões: será que vocês estão dizendo que, quando recebia salários das igrejas que me contrataram para guiá-las, eu as estava espoliando? Ou será que alguns de vocês têm a evidência (ou desconfiança) de que eu furtava dos irmãos ou da instituição algum bem ou valor? Ou será que é assim que vocês se sentem, por isso reagem dessa forma?
Primeiro, não vou me calar, nem me cansar de ensinar o que está escrito na Palavra do Mestre. Segundo, amo vocês e os respeito muito, por isso minhas portas estão abertas para debatermos sempre com as Escrituras abertas, principalmente a Mensagem da Graça libertadora de Jesus Cristo. Terceiro, quando a igreja evangélica compreender e ater-se aos ensinamentos de Jesus ela não fará do dízimo um laço e uma maldição para aquele que deseja o puro leite racional.
Vou continuar afirmando, exigir o dízimo da Igreja de Jesus não é Bíblico, sugiro que sejam honestos em relação a isto e peçam aos seus seguidores uma contribuição não obrigatória para manutenção de suas dependências e pagamento de salário do(s) profissional(is) que os conduz sem lhes aferir maldição aos que não contribuirem.
“Assim, os que são da fé são abençoados juntamente com Abraão, homem de fé. Já os que são pela prática da lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: "Maldito todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da Lei". É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela lei, pois "o justo viverá pela fé". A lei não é baseada na fé; pelo contrário, "quem praticar estas coisas, por elas viverá". Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: "Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro".
Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé.” Gálatas 3:9-14 (NVI)

sexta-feira, 2 de março de 2018

NÃO, VOCÊ NUNCA DEU O DÍZIMO




O dízimo talvez seja a principal bandeira cristã (evangélica) depois da “conversão a Cristo” pois, logo após a decisão de um novo crente, esta bandeira é entregue de forma veemente em suas mãos. Mas o que é o dízimo? Quais são os reais ensinamentos a seu respeito? Para entendermos este assunto precisamos entender o que é Velho e Novo Testamento, não falo dos Livros da Santa Escritura, mas das duas Alianças, a Velha e a Nova (Hebreus 9. 15).


A velha aliança (Hebreus 9. 19) foi conceitual, teve por objetivo revelar ao povo o juízo e a justiça Divina. Deus escolheu um povo e por seu intermédio revelou sua justiça à humanidade e, nem mesmo esse povo separado foi capaz de andar na Sua justiça. Mas, mesmo a esse povo já havia sido anunciada a necessidade de uma nova aliança (Hebreus 8. 10-13). A nova aliança é Jesus Cristo, o descendente que pisou a cabeça da serpente e resgata o homem, “todo aquele que crê” (João 3. 16), Ele veio para cumprir a Lei e a Justiça Divina (Mateus 5. 17).


Quanto ao dízimo, pode-se dizer que existem três tipos, o dízimo israelita, o dízimo judaico e o dízimo cristão, sendo que os dois primeiros são descritos e facilmente encontrados nas Escrituras, já o último só poderá ser entendido no contexto da cultura cristã.


Comecemos, obviamente, pelo primeiro, o dízimo no contexto da velha aliança. Lendo Deuteronômio 14. 22-29, podemos ver claramente o que é o dízimo e os seus objetivos. Primeiro, o dízimo não é dinheiro mas a primeira safra, ou a primeira colheita daquilo que se dizima (dizimar é passar a foice para colher o grão ou o fruto), o que era recolhido para o dízimo era a primeira colheita e as primeiras crias dos animais puros, em reconhecimento da bênção de Deus e em gratidão a Ele e, também para sustento do sacerdote e do levita que não tinham parte na herança para plantar e para criar. Era para ser levado ao Tabernáculo ou ao Templo e, se este estivesse distante deveria ser vendido por dinheiro, mas ao chegar ao local este dinheiro deveria ser usado para comprar o equivalente para ser ofertado.


Vemos uma outra situação em relação ao dízimo após o exílio, o povo estava preocupado em reconstruir suas casas e seus palácios e estavam negligenciando o símbolo da presença de Deus entre eles, o Templo, e o serviço deste (Malaquias 3. 7-12), porém, a partir da revolta dos Macabeus os judeus tornaram-se dizimistas rigorosos (Mateus 23. 23) ofertando, inclusive, as dízimas do endro, do cominho e da hortelã mas como disse Jesus, negligenciavam “a justiça, a misericórdia e a fé”. Ambos os textos referenciados neste parágrafo são de observação e prática exclusiva do povo judeu, Malaquias se refere a “vós, a nação toda”, o remanescente judeu que voltou da Babilônia, e Jesus aos escribas e fariseus, adeptos da seita judaica que primava pela manutenção das práticas da Lei e da Tradição dos Anciãos.


Já o dízimo cristão é um caso a parte, tal prática não é citada nem recomendada em nenhuma parte do Novo Testamento, Jesus o cita em Mateus e Lucas apenas como prática farisaica, da qual eles muito se ufanavam de fazer (Lucas 18. 12), mas cremos ser uma prática dos judeus, ao menos dos fiéis aos ensinamentos da Lei. Fora destes Evangelhos só veremos menção ao dízimo em Hebreus, não para recomendar a sua prática, mas para mostrar a submissão e respeito de Abraão a alguém que lhe é superior, Melquisedequer, como figura de Cristo. Os gentios, povos não judeus, foram isentos das práticas da Lei, da velha aliança (Atos 15. 1-29). Mesmo quando Paulo solicita uma contribuição aos irmãos de Corinto, não é uma contribuição regular ou mensal, mas uma oferta de amor para socorrer os irmãos necessitados da Judéia (Romanos 15. 26; 2 Coríntios 8. 1 – 9. 8).


A prática cristã do dízimo moderno não encontra fundamento no texto bíblico do Novo Testamento, hoje não há mais sacerdote nem levita a ser sustentado, nem templo a ser erguido (1 Pedro 2. 9; Atos 17. 24-25; 1 Coríntios 6. 19), nada mais é que o resgate de uma prática da Velha Aliança, retorno a “rudimentos fracos e pobres” (Gálatas 4. 9). Laços que prendem o cristão incauto aos laços da religião (João 8. 32) e o afasta da liberdade espiritual e do sacerdócio universal, prendendo-o a instituições humanas, ensinando doutrinas fora do contexto das Escrituras da Nova Aliança, o Novo Testamento (Mateus 15. 7-9).


Você que pensa dar o dízimo, na verdade não o dá conforme seu propósito original e único, que é para o sustento da casa de Deus (o antigo Tabernáculo e o Templo de Jerusalém) e do sacerdote e do levita, na nova aliança não há mais sacerdote, nem levita, cada fiel é um sacerdote neste mundo carente da mensagem de salvação, a igreja quando reunida, ainda que dois ou três, é a casa de Deus, seu corpo o Santuário do Senhor, lembre, igreja não é uma obra de tijolos e argamassa, não é um endereço ou CNPJ, é o povo de Deus reunido em nome de Jesus. Por essas razões eu concluo afirmando:


Você nunca deu o dízimo.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Evangelho Individualista

Jeremias 18: 6. Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. - Bíblia JFA Offline
Nós costumamos cantar "faze-me um vaso de bênção Senhor..." ou "eu quero ser, Senhor Amado, como um vaso.. " na verdade não sou eu, individualmente, o vaso, o vaso é o povo de Israel, o povo de Deus. Hoje, o povo de Deus é a Igreja. O individuo, membro da igreja, é, na verdade, um grão de barro.
O povo todo é o barro que faz o vaso, a Igreja, a noiva do Cordeiro. Já ouvi alguém dizer, "eu sou a igreja", não! Nós somos a Igreja, a Igreja é o corpo de Cristo, eu sou apenas um membro, não o corpo.
Nossa mensagem tem sido individualista, Cristo não vai voltar para o indivíduo, não vai voltar pra mim, vai voltar para sua Noiva, a Igreja. Cristo vai remir a Igreja, vai glorificar a Igreja.
Somos tratados individualmente porque somos egoístas, só enxergamos nosso umbigo. Só olhamos para o lado quando o pregador manda olhar. Não é isso que ensina o Evangelho.
Falta-nos hoje o que nos liga ao outro, a Bíblia não nos ensina que somos um sozinhos, ela nos ensina que somos um com o outro, com o nosso irmão, ou nossos irmãos, ou seja, sentirmos o que eles sentem, necessitamos o que eles necessitam, nos suprimos, nos completamos.
Barro coeso, corpo unido, guiados pela única cabeça, Jesus, que nos amou a todos, João 3: 16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. - Bíblia JFA Offline.