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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Erro de Concordância

 

Quando estávamos aprendendo a falar, enquanto falávamos com papai e mamãe tudo era bonitinho. Até uma palavra feia que saia da boca de um bebê é motivo de aplausos. Mas logo começamos a nos comunicar com os outros, a escrever o que está em nossos corações. Então começamos a errar, alguns por dislexia, que o diga o Cebolinha, outros pelas complicações da gramática, porque foram inventar o cê cedilha? E porque o xis tem tanto som diferente? Um esse dois esses... Ainda tem essa tal de conjugação verbal, é tempo, é modo... Primeira conjugação, segunda, anômalos, defectivos...

Então, quando pensamos dominar minimamente estas coisas nos apresentam os erros de concordância. Veja por exemplo o texto a seguir: "Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus."  (Mateus 18 : 19). O editor de texto me diz que “concordarem” não é a forma correta e me sugere “concordardes”, concordando o verbo com o pronome “vós”, quando na verdade este concorda com o numeral “dois” que é o núcleo do sujeito.

Agora me diz uma coisa, quando é que dois concordarão na terra num mesmo ambiente social ou em um mesmo grupo, ainda que religioso? Cada ser humano é único, um complexo conjunto de erros, vícios e defeitos e que se julga justo, correto e centro do Universo. Como os polos idênticos de barras magnéticas, auto repelentes, sem possibilidade de coesão.

Sem fazer parecer que o texto citado seja genérico, o que não é, a continuidade deste (versículo 19) apresenta o ponto de coesão, "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu Nome, aí estou Eu no meio deles."  (Mateus 18 : 20 – grifo meu). Só com Jesus no meio, haverá a composição da concordância, direção e unidade de pensamento, mas, infelizmente, isso não se dá de forma automática, imediata. Existe um caminho a ser percorrido por cada indivíduo.

Os primeiros passos devem trilhar a estrada do “reconhecimento”. “Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado.” (Salmo 32 : 3-5).

Precisamos reconhecer que o principal problema da falta de concordância está em nós mesmos, seja em reconhecer os nossos erros mais bem escondidos, ou daqueles que projetamos nas outras pessoas, mas que são efetivamente reflexos dos nossos, e até mesmo aqueles que são mais evidentes, pelos quais damos como desculpa que “Deus me aceita do jeito que eu sou”.

Em seguida deve-se pisar a vereda da “resignação”. "Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;" (Mateus 16 : 24). Cabendo então a busca de uma nova maneira de viver, renunciando as velhas práticas, os velhos princípios.  Deixando de dar importância às antigas futilidades, despindo-se do mal que nos dominava (leia Colossenses 3 : 5-6).

Por fim deve-se seguir o caminho da “substituição”. "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."  (Gálatas 2 : 20). Nossos objetivos, nossas metas, nossos propósitos não importam mais. Cristo morreu para que nossos erros morressem com Ele. Ele também ressuscitou, para que Ele viva em nós.

A nossa vida não é mais nossa, “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” (Colossenses 3 : 1-3). A nossa vida é dEle, é do nosso próximo (leia Mateus 22 : 34-40).

Se a Ele pertencemos, com Ele concordaremos e também com aqueles que, em Seu Nome, estão conosco reunidos. Assim concordaremos em amar, em perdoar, em ajudar o necessitado e em servir a Jesus. Então, no fim dos tempos, ouviremos dEle: "(...) Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;"  (Mateus 25 : 34).

Caso contrário você será um simples erro de concordância.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Deus de perto ou Deus de longe

 

Meu pai tinha um crucifixo. Acho que de prata, bem pequeno. Certa vez ele me mostrou aquele crucifixo e disse: “este é Deus, ele criou todas as coisas”. Eu devia ter entre seis e sete anos, mas nunca me esqueci daquilo. Não ousava retrucar meu pai a respeito, mas lembro que muitas vezes em minha vida pensei que era impossível que aquele pedaço de metal, tão pequeno, pudesse fazer tanta coisa.

Hoje sinto que meu pai queria acreditar naquilo, pois a cultura em que viveu assim acreditava. Era uma forma de ter Deus à mão. O homem sempre quis ter Deus à sua mão, pois Este sempre o pareceu muito distante. Deus está nos céus, nas alturas, no trono Divino. Sua justiça e santidade sempre pareceu a este inalcançável, por isso porque não trazê-lo para mais perto?

Quando alguém pediu uma definição Ele disse: “Eu Sou o que Sou”. Difícil tentar explicar o “Eu Sou”. Mais ainda, difícil entender. Por que não encontrar outras maneiras de defini-lO, ou melhor, de trazer a ideia de Deus ao nível humano. Por isso que o israelita antigo adotou “Baal”. Baal que dizer “Senhor”, em princípio entidade humana superior, revestida de autoridade mas acessível.

Então eles puderam definir Baal, dar forma, esculpi-lo com as próprias mãos, determinar sua autoridade, seu poder. Estabelecer suas oferendas, o que ele aceita ou rejeita, o que ele gosta ou não gosta. Baal é maleável como o barro moldado pelo oleiro. Então deus torna-se uma criatura moldada pelo homem e assim o homem trás Deus pra perto de si.

Este tipo de deus é bem interessante, pois ele se parece muito com o homem, pois por ele foi feito, à sua imagem e semelhança, veja os deuses do Olimpo, beberrões, difamadores, traiçoeiros, adúlteros, fornicadores, sedentos por poder, mais humanos impossível.

Mas esta não é a única maneira que o homem trata do assunto Divindade. Há aqueles que colocam Deus em um altar tão elevado que é quase impossível de alcançar. Quase é a palavra-chave, pois se o homem alcançar um nível de santidade, de sabedoria, de conhecimento, de prática religiosa, poderá experimentar um estado de proximidade, até mesmo de representatividade.

Estes conclamam a práticas, ao exercício, à frequência, à membresia, à instituição do refúgio religioso, construindo apriscos denominacionais, onde as pessoas sentem-se resguardadas, mais próximas do deus distante. Elevadas ao nível Divino.

Ledo engano, o homem não tem em si mesmo a mínima capacidade de se aproximar de Deus. Segundo as Escrituras o homem está “destituído da Glória de Deus”. Confeccionar um deus substituto não resolve o problema, nem se refugiar em práticas religiosas. Ainda que seja desesperador, não temos como alterar o caminho que a distância de Deus traça pra nós.

Por esta razão Jesus veio até nós, se Ele não tivesse vindo ainda estaríamos sem direção, andando no escuro com bússola quebrada num céu sem estrelas. Foi Ele que se aproximou de nós, “Ele veio buscar e salvar o que se havia perdido”. Por amor, por Graça e por Misericórdia, Ele resolveu salvar os Seus, aqueles que “ouvem a sua voz” e que O seguem, resgatados pela Fé que é dada por Ele.

Não adianta moldar Deus para Ele se adequar a você, nem tentar viver uma vida tão santa achando que vai alcançar o Divino. O que adianta mesmo é estar com ouvido e coração abertos para, quando Ele te chamar, você possa prontamente dizer - “Eis-me aqui”. Todas as outras coisas deixa por conta dEle.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Veio a Quem a Palavra do Senhor?


Uma elucubração a respeito dos falsos profetas
Vivemos em um mundo cheio de pregadores estilosos e mensagens empolgantes. Essa é a era magna do discurso e da aparência. Muita gente parece boa, muito discurso parece certo, mas certamente é bonito. Por isso há necessidade de se avaliar o que é certo ou não em meio a tantas opções. Será que tudo que ouvimos é a palavra de Deus? Será que todos estes pregadores são profetas dignos de audição? Creio que não podemos dizer que sim. A segunda carta de Pedro nos diz que, assim como houve falsos profetas, haverá falsos mestres, 1 Pe 2. 1. Como podemos então distinguir o que é falso do que é verdadeiro?
A Palavra nos diz que devemos provar os espíritos (1 Jo 4. 1). Para tanto precisamos saber o que é um profeta. Um profeta é aquele que: é chamado por Deus, 1 Samuel 3. 1; aceita de bom grado, Isaías 6. 8; reconhece suas limitações, Jeremias 1. 4-9; recebe capacitação plena de Deus, Ezequiel 2. 1-10 e não vive do título de profeta, Amós 7. 14-15; Atos 20. 33. Precisamos também saber que todos somos sacerdotes, reis e profetas quando estamos cumprindo os propósitos de Deus, pois o ministério da fé, nos dias de hoje, é para todos, não é algo exclusivo a alguns (1 Pe 2. 9-10).
Porque então existem falsos profetas, por que Deus os permite?
Deus os permite para que, por meio deles, sejamos provados (Dt 13. 3). Não para que Ele conheça quem é fiel ou não, pois Deus conhece nossos pensamentos e intenções, mas para que nós mesmos conheçamos quem somos, se temos maturidade para discernir o bem, e não somos levados por qualquer vento de doutrina que aparece. A prova portanto é para nós.
Qual é a sua mensagem?
Os falsos profetas proferem mentiras (Jr 23. 25-26), Falam de coisas não ditas por Deus, distorcem a Palavra de Deus, fortalecem a mão dos malfeitores (Jr 23. 14), incham as almas inconstantes (2 Pe 2. 14), inflamam de desejos superficiais aqueles que buscam alguma verdade (2 Pe. 2. 18). A mensagem da moda é prosperidade e saúde, como se a morte e a pobreza pudessem ser evitadas (Hb 9. 27-28; Mt 6. 19-21).
O que levam as pessoas ao caminho da falsa profissão religiosa?
O primeiro motivo é a atratividade (At 20. 30), a busca pela sensação de liderança, a síndrome do pastoreio: “tenho minhas ovelhas, eu sou pastor, bispo ou apóstolo”. Outro motivo é a demonstração de poder (Mt 24. 24), curas, sinais, indumentária, “palavras mágicas”, mantras, gestos especiais, cumprimentos distintivos com o objetivo de destaque e de proeminência. E, talvez, o pior de todos, a motivação financeira (Mq 3. 11; 2 Pe 2. 3), a usura, a cobiça e o amor ao dinheiro, que é a raiz de todos os males (1 Tm 6. 10), qual de vós, pastores, que porventura leiam este artigo, já não sofreu em alguma sessão decidindo o seu salário?
Jesus é o Profeta (Dt 18. 15-18), o Sacerdote (Hb 7. 21-22), o Rei Eterno, o Messias, o Caminho, e a Verdade, e a Vida (Jo 14. 6), não há verdade fora dEle, Ele é o assunto de quem fala a Verdade, as Palavras são dEle, Ele é a porta, Ele é o que entra pela porta, Ele é o Pastor (Jo 10. 11), o único Pastor (Ec 12. 11), as ovelhas são dEle, Ele mesmo diz que “quem não entra pela porta é ladrão e salteador”, é “lobo” e “mercenário”. O falso profeta é o ladrão e mercenário, quer arrebatar as ovelhas, mas quem segue o ladrão e mercenário, não é de Deus, "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem" (Jo 10. 27). Aqueles que dão ouvidos aos falsos profetas não estão isentos do juízo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Será que somos gratos?


Após assistir a um vídeo do neurocientista Pedro Calabrez sobre gratidão (link no final do texto) fiquei bastante contemplativo, o assunto colou em minha mente de tal forma que não consigo pensar em outra coisa desde então. Tenho pensado em todos os tipos de gratidão que podem haver no meio do povo de Deus e, até mesmo, em sua ausência, e quais os efeitos disso em nossas vidas.
Segundo o citado neurocientista existem três tipos de gratidão, a gratidão automática, a gratidão passiva e a gratidão ativa. A primeira refere-se as nossas formas corriqueiras de se expressar, seja em nossas interlocuções interpessoais diárias ao vivo ou online, como “tá bom”, “tá ok”, “legal” ou “obrigado”. A segunda trata-se de quando acontece algo especial, como o nascimento de um filho ou neto, a conquista de um emprego, uma promoção ou algo semelhante, coisa que não acontecem com frequência. Já a terceira forma de gratidão é característica de quem busca reconhecer as coisas boas que acontecem cotidianamente, tomando consciência de que há sempre um bom motivo de gratidão, ainda que simples, apesar de todos os males que nos advêm.
Creio que em nosso caso o assunto não é tão simples. Pois numa breve reflexão detectei mais dois tipos que a neurociência não relacionou. A falsa gratidão e a falta de gratidão, que não podem de forma alguma deixarem de ser abordadas quando tratamos de assunto tão importante.
Qualquer leitor da Palavra de Deus perceberá a importância de se ter um espírito grato. "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." (1 Tessalonicenses 5:18). Parece-me que, apesar das janelas dos céus estarem abertas sobre as nossas vidas repletas de bênçãos (Efésios 1:3), jamais as aproveitaremos plenamente se não entendermos o significado de gratidão. Aliás qualquer dicionário expressará muito pouco de seu significado, nem pretendo, neste texto, apontar uma resposta plena a tão grande questão.
A primeira questão é se a gratidão pode ser classificada como um sentimento, creio que em parte sim, mas não exclusivamente. Nada na vida do crente deve limitar-se a um simples sentimento. Crente não vive de sentimentos, nossa vida não deve ser contemplativa, deve ser uma vida de atitude, assim como nossa gratidão, se não a expressarmos de alguma forma ela não será plena. Não como os três valentes de Davi, em 2 Samuel 23:15-17, que, de forma inapropriada, buscaram honrar o seu rei através de uma atitude imprudente. Mas em Lucas 17:12-19 há um relato interessante, dez leprosos são curados por Jesus, sendo que apenas um retorna para agradecê-lO. O samaritano voltou e, assim, foi abençoado com algo maior que a cura de sua lepra, alcançou a graça da Salvação por meio da Fé.
O segundo ponto é se a gratidão pode ser ignorada. Nada na vida deve ser ignorado. Cada experiência, cada atitude a nosso favor, ou mesmo contra nós, cada evento em nossas vidas tem o seu devido valor e por isso deve ser reconhecido aliás, gratidão resume-se a isto, reconhecimento de valor. Voltando ao texto de Lucas 17, nove dos que foram curados foram incapazes de valorar a cura que receberam, preferiram estribar-se no cumprimento da Lei, pois segundo esta, o sacerdote era aquele que os declararia oficialmente curados e, diferente do samaritano, não experimentaram a graça salvadora.
Outro ponto que deve ser levado em consideração é a falsa gratidão. É o que acontece quando alguém dá mais valor a si próprio que àquele que o favoreceu. Observe o seguinte texto: "O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (Lucas 18:11-12). Quem está sendo honrado nesta oração? O Deus a quem ele dá graças, ou o fariseu por suas “qualidades” e “dons”? Quantas vezes você deu graças a Deus por ser Cristão, ou por ser casado, ou solteiro, ou por trabalhar em tal lugar, em detrimento a alguém que estivesse em situação diferente ou “inferior” à sua?
O ponto central de uma vida de gratidão está na direção desta. Existem três direções possíveis, vertical, horizontal ou interior (para dentro). Não preciso dizer que a terceira opção é a escolha egoísta do fariseu do parágrafo anterior e que nem precisamos considerar. A primeira é vertical, em direção a Deus, "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (I Tessalonicenses 5:18). Ele é o Criador, o Doador da Vida, que tudo faz em nosso benefício, "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8 : 28). A segunda é horizontal, em direção ao próximo, "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Romanos 12 : 10), e "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (I João 4 : 20). Na maior parte das vezes não temos como expressar a gratidão como atitude a Deus mas, quando atribuirmos valor ao próximo estamos fazendo a Deus também.
Uma vida de gratidão é uma vida de valor, de qualidade, bem vivida, melhora não apenas a sua vida, mas a vida daqueles que vivem ao seu redor. Encontre diariamente motivos para ser grato, seja grato a Deus, expresse sua gratidão a quem Deus tem usado para abençoá-lo. Quero repassar-lhe o desafio das três bênçãos, de Pedro Calabrez, no final de cada dia anote três motivos de gratidão, não precisa ser algo grande, você verá que coisa boas acontecem todo dia, escreva em um caderno, escreva ao lado porque aquilo é uma bênção, caso seja uma atitude de alguém, escreva porque você acha que a pessoa fez aquilo por você, escreva com suas próprias mãos, não use meios eletrônicos, isso fará uma grande diferença. Faça esse desafio por, pelo menos trina dias e veja a diferença que isto fará a você.
Quero agradecer ao neurocientista Pedro Calabrez que me fez refletir em todas estas coisas, quero agradecer também ao meu irmão e amigo Renato Pompei que muito contribuiu com esta reflexão e a Deus por mais esta oportunidade de contribuir para que outros reflitam sobre assunto tão importante.
Link do vídeo:


sexta-feira, 30 de março de 2018

O Último Sacrifício




Sei que páscoa chegou e com ela mais um feriado. Sei o que esta data significa para os dias de hoje, nada além do comércio do chocolate, eu mesmo já gastei alguns reais com ovos e bombons. Mas por trás deste feriado há um significado maior, a Páscoa, o sacrifício do cordeiro que morre pelo primogênito dos filhos de Israel e que traz liberdade ao povo ainda cativo. Páscoa é o sacrifício do cordeiro, do Cordeiro que foi morto para nos libertar dos pecados (Ap 5.12; 13.8; Mt 1. 21). Talvez hoje alguns religiosos estejam fazendo seus sacrifícios. Novenas, procissões, abstinências, missas ou cultos. Será que Deus espera ou necessita dos sacrifícios que temos oferecido? Será que sabemos o significado de sacrifício?
sacrifício (s.m.)
1 Ação ou efeito de sacrificar(-se).
2 Oferenda de animal, produto de colheita ou de qualquer coisa de valor, feita a uma divindade para lhe tributar homenagens ou para reconhecimento do seu poder.
3 A pessoa ou coisa sacrificada.
4 Renúncia ou privação voluntária por motivos morais, religiosos ou práticos.
5 Privação financeira em benefício de alguém.
Apesar de carregar um grande significado o sacrifício jamais foi o fundamento da relação entre Deus e o homem (1 Sm 15.22), obedecer, ou ter fé (Rm 4.3) sempre foi e será mais importante, veja os textos a seguir:
"Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste." (Salmos 40:6)
"Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos." (Salmos 51:16)
"Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus." (Salmos 51:17)
"Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal." (Eclesiastes 5:1)
O religioso faz muitos sacrifícios, priva-se de alimentos, faz jejum, guarda o sábado, “entrega” o dízimo, mas não ampara o oprimido, não leva alento ao aflito, não comunica com os santos nas suas necessidade, não é hospitaleiro. Pensa que pode comprar um status de fé ou de salvação através dos atos religiosos, através de uma prática regular, por meio de um farisaísmo moderno, cultural, que esconde a verdadeira essência da fé e afasta as pessoas de encontrarem a verdade das Escrituras. "Não me compraste por dinheiro cana aromática, nem com a gordura dos teus sacrifícios me satisfizeste, mas me deste trabalho com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniqüidades." (Isaías 43:24).
Deus não se agrada de nossos sacrifícios, há um único sacrifício que o agrada, o de Jesus, o Cordeiro que foi morto, cujo sangue nos purifica de todos os pecados, cujo sacrifício nos comprou para Deus e apagou e pagou todas as nossas dívidas. "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." (Apocalipse 13 : 8). De maneira nenhuma por nossos méritos, de modo nenhum por nossas ações, mas por Graça, Efésios 2. 8-10, portanto não devemos nada, não devemos sacrifícios, não devemos sábados, não devemos dízimos, nada devemos a Deus, pois se devêssemos, jamais poderíamos pagar.
O último sacrifício foi feito por Jesus (Hebreus 10:12), e o fez por nós, claro, ele venceu o sacrifício, ressuscitou, vive! Por isso é eficaz. Assim como Jesus fez sacrifício por nós, hoje o nosso sacrifício é vivo, santo e agradável a Deus e qual é o sacrifício agradável a Deus? Aquele sacrifício que fazemos pelo outro e não por nós mesmos, é o sacrifício do amor, do perdão, do auxílio, aquele sacrifício que Tiago chama de “religião pura e imaculada” (Tg 1.26-27).

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Evangelho Individualista

Jeremias 18: 6. Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. - Bíblia JFA Offline
Nós costumamos cantar "faze-me um vaso de bênção Senhor..." ou "eu quero ser, Senhor Amado, como um vaso.. " na verdade não sou eu, individualmente, o vaso, o vaso é o povo de Israel, o povo de Deus. Hoje, o povo de Deus é a Igreja. O individuo, membro da igreja, é, na verdade, um grão de barro.
O povo todo é o barro que faz o vaso, a Igreja, a noiva do Cordeiro. Já ouvi alguém dizer, "eu sou a igreja", não! Nós somos a Igreja, a Igreja é o corpo de Cristo, eu sou apenas um membro, não o corpo.
Nossa mensagem tem sido individualista, Cristo não vai voltar para o indivíduo, não vai voltar pra mim, vai voltar para sua Noiva, a Igreja. Cristo vai remir a Igreja, vai glorificar a Igreja.
Somos tratados individualmente porque somos egoístas, só enxergamos nosso umbigo. Só olhamos para o lado quando o pregador manda olhar. Não é isso que ensina o Evangelho.
Falta-nos hoje o que nos liga ao outro, a Bíblia não nos ensina que somos um sozinhos, ela nos ensina que somos um com o outro, com o nosso irmão, ou nossos irmãos, ou seja, sentirmos o que eles sentem, necessitamos o que eles necessitam, nos suprimos, nos completamos.
Barro coeso, corpo unido, guiados pela única cabeça, Jesus, que nos amou a todos, João 3: 16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. - Bíblia JFA Offline.