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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Tábula Rasa

O que significa ensinar? Ensinar significa pôr uma marca, assinalar, em seu sentido original. Pode-se entender que quem ensina transpõe uma marca que já possui, pois foi marcado por alguém. Estaria certo John Locke? São todos uma “tábula rasa” que vão sendo marcados no decorrer da grande experiência que é a vida?
Salomão deixou a instrução: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e, até quando envelhecer, não se desviará dele”. Ocorrem então algumas questões; andaríamos nós naquilo em que fomos ensinados? Será correto o caminho que nos foi ensinado? Entendemos corretamente o que nos foi ensinado? E, por fim, o que é realmente importante, o objeto de ensino ou o objeto do ensino? Pra ser mais claro; o que se ensina, ou a quem se ensina?
A primeira questão a ser respondida é se seguimos os conselhos de nossos pais. Minha mãe me disse muitas vezes: “faz o que eu falo, mas não faz o que eu faço”. É claro que isso é um contrassenso, acredita-se que o melhor mestre é o exemplo. Nós não ouvimos nossos pais, nós os imitamos. Nós comemos o que eles comem, bebemos o que eles bebem, usamos as palavras que eles usam… E se aprendemos coisas diferentes como os colegas de escola e da vizinhança, eles aprenderam com seus pais.
Quanto àqueles que ocupavam a cátedra do ensino da Ética Divina e dos procedimentos morais da Palavra Sagrada, Jesus disse: “Pratiquem os seus ensinamentos, mas não sigam o seu exemplo pois eles não fazem o que ensinam”. Há aqui um claro contrassenso, como é isso Jesus? Como não podemos seguir o exemplo de nossos líderes eclesiásticos? - Não pode! Eles são como sua mãe, só que ela é mais sincera – Na verdade, não aprendemos o que está no quadro-negro, mas o que está impresso na vida de nossos mestres.
A segunda questão é se o que está sendo ensinado é certo. Creio que cada sociedade tem a sua verdade. E, como a sociedade atual é complexa, há diversas micro sociedades em cada ambiente social e, cada uma com a sua micro verdade. Há a verdade adventista, a russellita, há a verdade pentecostal, a verdade batista, a verdade católica, a muçulmana, a ateísta, cada um com seu “céu”, seu “paraíso”, sua justiça. Há muitas verdades em nossa sociedade poli-fraturada.
Jesus diz: “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida”. Só que muitos de nós nos fazemos donos do caminho, da verdade e da vida, como se fôssemos seus proprietários intelectuais, portadores de suas patentes quando deveríamos ser somente seus buscadores. Em outra ocasião Jesus diz: “vocês examinam as Escrituras porque buscam nela o benefício da vida eterna, mas são elas que ensinam a Meu respeito”. Busquemos a Verdade, mesmo que ela não nos beneficie.
O terceiro ponto é sobre quem regula quem. O objeto de ensino é meu para que o interprete ao meu bel-prazer? Eu regulo a verdade ou é ela que me regula? A verdade tem sido como uma borracha limpa-tipos, que o desenhista molda em suas mãos para implementar seus artifícios artísticos. Somos todos relativistas, cada um moldando a sua própria verdade.
Devíamos retornar aos princípios platônicos, e entender que nossa interpretação da realidade não passa de sombras daquilo que realmente É. Precisamos nos permitir ser moldados pelos princípios daquele que é Eterno, do que “vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”.
E, por fim, o que importa, o que se ensina ou a quem se ensina? Na verdade aqui o foco é o que realmente não é importante. Me desculpem os mestres, me desculpem os pais, sejamos humildes em admitir, os que ensinamos somos os menos importantes. Não haveria valor algum se não houvesse o que ensinar e mais ainda se não houvesse a quem ensinar.
O objeto de ensino é o norte, o objetivo, a Verdade. O objetivo do ensino é o propósito, é o fio condutor, sem ele a energia não passa adiante. Jesus é o norte, é o ensino, é “a pedra principal, eleita e preciosa e” nós somos “o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para anunciar (passar adiante) as Virtudes Daquele que nos iluminou”.
Tornemo-nos tábulas rasas que seja impresso em nós “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor (…) O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco”.

Textos bíblicos usados livremente:

1 – Provérbios 22.6
2 – Mateus 23.1-3
3 – João 14.6
4 – João 5.39
5 – Tiago 1.17
6 – 2 Pedro 2.6-8
7 – Filipenses 4.8

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Ser ou não ser pastor


Fui pastor ordenado conforme o sistema religioso de uma denominação evangélica tradicional. Desde sempre questionava dentro de mim determinadas ordenanças compartilhadas em nosso meio, como por exemplo, a “fidelidade na entrega dos dízimos” com suas consequentes bênçãos, a filiação obrigatória a uma igreja denominacional, caso contrário não seria possível considerar-se “crente” e, consequentemente, salvo, a frequência regular ao culto dominical, entre outras coisas que fazem parte do espectro sagrado cristão.
Hoje, livre das amarras da religião institucional, sinto-me a vontade para falar de coisas que se fazem necessárias, e que todos precisamos e devemos saber. Não falo o que falo para que as pessoas abandonem as instituições religiosas, mas para que aquelas que têm uma experiência com Jesus, mas não fazem parte de um sistema religioso, não se sintam perdidas nem sozinhas. E também para que não sejam facilmente enganadas por qualquer um que as queiram arrebanhar para que façam parte de seus números também.
O assunto que trago agora é bastante delicado e sei que talvez ofenda a alguns, mas preciso trazê-lo. Ser pastor é bíblico ou não? Vi muitos crentes usando as palavras de Davi em relação ao pastor moderno que não se deve tocar no ungido do Senhor (1 Sm 26. 9-11; Sl 105. 15), porém, no Velho Testamento, Ungido é o Rei. Da mesma forma quando se usa a palavra pastor ou pastores se refere aos reis de Israel, exceto no Salmo 23 em que o Pastor é o Senhor de Davi, que também está declarando que o SENHOR (Deus) é o seu Rei.
A palavra pastor também é usada profusamente, tanto no Velho quanto no Novo Testamento para dar significado a um serviçal que cuidava de rebanhos que não lhes pertenciam, algo já abordado na postagem anterior. Portanto, pastor era um servidor que tomava conta de pequenos rebanhos, geralmente não mais que 30 ovelhas e que, se fosse muito bom, o Senhor o colocava a cargo de outros rebanhos e ainda que, caso chegasse à conta de uma centena tinha por direito a posse de uma das ovelhas de seus rebanhos, mas se perdesse uma por qualquer motivo, teria perdido aquela que contava como sua. Coisa que não se pode aplicar a quem se denomina pastor nos termos modernos, pois todos concordamos que as ovelhas do rebanho de Deus (igreja) pertencem única e exclusivamente a um único Pastor (Ec 12. 11; Jo 10. 10; 1 Pe 2. 25).
Fora dos Evangelhos, o termo pastor aparece três vezes em apenas dois textos bíblicos e, só se refere a um líder espiritual no livro de Hebreus (Hb 13. 7 e 17) a outra passagem se refere ao próprio Senhor (1 Pe 2. 25), as outras palavras usadas pela teologia moderna para dar sentido ao pastor de nossos dias são ancião (ou presbítero – transliteração do termo grego que tem como significado pessoa idônea, experiente, ou de idade a que se deva respeito) e bispo, que é uma latinização do grego “epíscopos” que significa supervisor ou cuidador.
De nenhuma forma vemos nos textos do Novo Testamento a designação de um líder único na igreja local, são diversos presbíteros ou diversos bispos em cada igreja local (At 11. 30; 14. 23; 20. 17; I Pe 5. 1 e outros), nem mesmo que sejam remunerados (At 20. 33; 1 Co 9. 14-18; 11. 1; Fp 3. 17). Na verdade a igreja tem um só Líder, o único Senhor (Ef 4. 5), o único Cabeça da igreja (Ef 5. 23).
Conforme a leitura de Efésios capítulo 4, o exercício pastoral nada mais é do que o exercício de um dom espiritual tal como o apostolado, a evangelização, a profecia e o ensino, não são cargos, mas ofícios, não vêm de formação acadêmica, mas por dom do Espírito Santo, ou seja, qualquer que Deus assim designar exercerá o ofício pastoral sem necessidade de cursos em seminários teológicos, ou qualquer outra instituição de ensino, da mesma forma não pode nem deve exigir qualquer compensação pelo exercício do dom, muito pelo contrário, deve devolver sempre mais do que recebeu (Mt 25. 20).
O pastor moderno não é bíblico, pois inibe o sacerdócio universal, o acesso direto a Deus e suas bênçãos, torna-se um intermediário em pé de igualdade com o padre católico ou os fariseus e sacerdotes da religião judaica dos tempos de Jesus, um mero sacerdote, algo já abolido pela Nova Aliança. Muitas vezes, sabendo ou não, são lobos cruéis (At 20. 29), mercenários (Jo 10. 12), falsos mestres de palavras fingidas (2 Pe 2. 1-3). Outras vezes até são pessoas bem intencionadas, mas que carecem de conhecer plenamente a Palavra de Deus, pois enxergam a fé com os óculos da religião.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A igreja não é minha


Ouço frequentemente citações do tipo: “onde fica a sua igreja?”, “a minha igreja é muito animada”, “eu sou da igreja do pastor Reivaldo”, “eu sou ovelha do pastor Marionildo” ou o pastor do púlpito diz: “minha igreja” ou “minhas ovelhas”. Reviro-me dentro de mim sempre que ouço algo parecido com isso, pois de quem é realmente a igreja? Ou de quem são as ovelhas?
A Igreja não pertence a homens, não foi fundada por homens, foi fundada Pelo Espírito de Deus no dia de Pentecostes, sob a promessa do próprio Jesus. A Igreja não é apostólica, pois não foi fundada pelos apóstolos, a Igreja não tem denominação, aliás se há alguma denominação para a Igreja é “esposa de Cristo” (Ef 5. 21-33), “igreja de Deus” (1 Co 10.32 e outros), “congregação dos santos” (Sl 149. 1), mas nada registrado em cartório, apenas conforme registrado na Bíblia.
Pra começarmos a entender este problema percebemos que nenhum apóstolo declarou a igreja como sua. Não há nas cartas de João, Paulo, Tiago, Pedro ou Judas declaração de propriedade da igreja como sua, nem em Hebreus, nenhum deles ousou usar a expressão “minha igreja”, ou mesmo “minhas ovelhas”. O mais perto disso usado pelos apóstolos foi “filhos na Fé” (1 Tm 1. 2) ou “filhinhos” (Gl 4. 19; 1 Jo 2. 1 e outros), creio que com o mesmo sentido do anterior.
Jesus é o único nas Escrituras Cristãs a assumir um papel possessivo sobre a Igreja quando diz: “... edificarei a minha Igreja” (Mt 16. 18), ou mesmo sobre o rebanho quando diz: “as minhas ovelhas ouvem a minha voz, Eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10. 27), e não se contradisse quando orientou ao apóstolo: “Pedro, tu me amas?... apascenta as minhas ovelhas” Jo 21. 16-17). Ou seja, é sim Pedro quem apascenta, mas as ovelhas são de Jesus. E Pedro nunca disse o contrário. Aliás, na Palestina dos tempos de Jesus, os pastores não eram donos de ovelhas, mas serviçais dos fazendeiros, estes sim, senhores e donos dos rebanhos.
O que expressamos pela nossa boca se não expressa o que está dentro de nós acaba por nos definir. Tenhamos o devido cuidado de declarar apenas o que glorifique ao Senhor, e não a nós. “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!” Sl 19. 14.


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Eu estou morrendo – Minhas últimas palavras



Quantos de vocês já não assistiram a um filme, ou leram um livro, em que alguém que tinha algo importante pra dizer à beira do momento final tenta balbuciar algumas palavras, mas, ou não se faz entendido, ou não tem tempo suficiente pra dizer o que precisa? Por esta razão quero deixar de livre vontade e em pleno gozo de minhas faculdades mentais este testamento, contendo minhas palavras finais a minha esposa, filhos e amigos.
Eu estou morrendo. Sim, estou morrendo, e é por isso que preciso deixar minhas últimas palavras enquanto ainda resta algum tempo, não tenho certeza de quanto tempo eu ainda disponho, mas encontro-me em estágio avançado, por favor, não se entristeça, minha partida está de acordo com a vontade do Soberano. Ele preparou cada um dos meus dias para que eu vivesse da melhor maneira possível, permitiu-me usufruir de cada um deles conforme minha vontade e, talvez por abusar um pouco destes poucos dias, não permaneça por mais tempo aqui.
O mais importante é que tenho consciência que estou prestes a morrer, lembro-me quando recebi o diagnóstico, Dr. Paulo deixou bem claro pra mim: “você está morrendo em função de suas faltas e de sua vida desonrosa” e, “a recompensa pelos seus erros é a morte”. Logo que soube disso decidi viver os poucos dias que me restavam sob os cuidados do Médico Maior, não o Dr. Paulo, mas Àquele que ele recomenda a todos os seus pacientes, o Médico dos médicos. Assim me disse ele, “o remédio gracioso do Soberano é a Vida Eterna em Cristo Jesus”.
Eu não sei se você já sabe, mas também está morrendo, “por meio de uma pessoa entrou a maldade no mundo e por ela a morte, então a morte passou a todas as pessoas, pois todas pecaram”. Nós nascemos doentes, nascemos pecadores, por isso já nascemos condenados a morrer. Eu, que já vivi mais de cinquenta anos não sei se viverei outros cinquenta, provavelmente não, por isso sei que estou morrendo… E você, sabe?
Quando um médico diz a alguém que está condenado à morte, por uma doença grave, como o câncer, por exemplo, duas possibilidades se abrem a esta pessoa, olhar isto como uma oportunidade para viver o melhor possível os últimos dias que lhe restam ou lamentar amargamente por cada dia até a chegada da morte, é claro, há sempre uma terceira opção, fingir ignorância, mas isto não é uma opção, ou você é ignorante ou é consciente. Ou seja, a consciência da morte gera Vida, ou morte.
Certo profeta resolveu desobedecer ao Soberano, virou-lhe as costas, embarcou em um navio e tentou fugir para o mais longe possível, neste navio prestes a naufragar ele dormia, literalmente dormente, no porão esperando a morte. Após experimentar, de certa forma, o sabor da morte no fundo do abismo, teve dó até mesmo de uma trepadeira que se secou ao sol no fim do dia. Ele experimentou a morte para se sentir vivo. A Palavra nos ensina morte é distância de Deus e Vida é Jesus, é o Evangelho, é a Boa Nova de Salvação.
Sim, eu estou morrendo mas se hoje “morremos em Cristo é certo que viveremos nEle”. Não há nada que eu possa fazer para evitar a minha morte, mas há algo que eu posso fazer pra viver a Vida Eterna, Vida que vai além desta vida corrompida que vivemos hoje, infectada pela maldade inata de nossos corações. Morro em Cristo e vivo nEle, pois Ele me disse: “aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto viverá, e todo o que vive e crê em mim, jamais morrerá, você acredita nisto?”
Não preciso dizer mais nada.
Nota – Os textos entre parêntesis e as referências são uso livre dos textos relacionados abaixo:
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), Efésios 2:5
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Romanos 3:23
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. Romanos 6:23
Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Romanos 5:12
Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; Romanos 6:8
Livro de Joel – Velho Testamento
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? João 11:25,26

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Quem não entende demoniza


Na mais obscura das eras, não comungar com a cultura religiosa oficial era, no mínimo, uma grave heresia, mas na maioria das vezes, eram estes considerados tão filhos do diabo que tinham por único mérito o fogo da inquisição. É claro que não vivemos dias de inquisição, porém vivemos dias em que muitos falam coisas que oscilam entre a difamação e a blasfêmia, portanto precisamos estar alertas quanto a tudo o que falamos, pois as palavras ficam, marcam, ferem e causam dor. Mais ainda se for a respeito da fé, pois aí está maior responsabilidade (Mateus 12.36).
Nós (os que fomos apelidados de desigrejados) temos sido acusados de sermos ressentidos com a instituição religiosa, de termos mágoas com líderes diversos, de não concordarmos com os dízimos, com o enriquecimento de pastores, de não querermos nos submeter a uma liderança religiosa ou algo assim, pode até ser que alguns destes tenham passado por situações que levem a estas conclusões, porém a maioria de nós querermos apenas a prática do Evangelho simples, bíblico, não governado por homens mas pelo Rei dos reis e Senhor dos senhores, Jesus Cristo.
Porém ser chamado de “satanista” ou de “macumbeiro” torna-se preocupante. Ao adentrarmos por este caminho abandona-se a busca da unidade e descamba-se ao caminho da intolerância. De quem não conhece o Caminho da Vida, de quem está morto sob o domínio do pecado, que vive sua própria jactância, não se pode esperar grande coisa, mas daquele que se diz cristão, evangélico, crente, que diz crer no Senhor Jesus como Salvador de sua alma, falar coisas assim é puro vitupério, e não é contra a pessoa, mas contra a pessoa de fé, o que torna-se em ato contra o próprio Jesus, que se coloca em nosso lugar, não obstante somos chamados “cristãos” (pequenos Cristos).

“Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo (Porque diziam: Tem espírito imundo).” Marcos 3:28-30
“Mas eu digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado.” Mateus 12:36
“Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!” Tiago 1:26

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Igreja Hedonista


Você se lembra porque procurou a igreja? Você ou alguém que você ama estava muito doente, perdeu alguém muito próximo, precisava salvar o casamento, estava com dificuldades de arrumar emprego ou em grande dificuldade financeira. Talvez estivesse solitário, em estado depressivo, precisando de amigos, infeliz no trabalho, ou mesmo buscando o sentido da vida. Você foi ao local certo, à igreja. Pois foi lá que lhe ofereceram a cura das enfermidades, a alegria do espírito, a restauração conjugal, a prosperidade…
E lá você tem encontrado momentos de alegria de festa, grupos alegres a cantar e tocar instrumentos, pastores eloquentes a fortalecer o seu ego, jogando você pra cima, dando propósito e sentido para sua vida. Lá você tem encontrado oferta de programas diversos, ministérios específicos, alguns dos quais você pode até ser líder, algo que fora dela você não teria a menor chance… Você está bem suprido na sua igreja, farto, saciado. Nada lhe falta.
Tudo isso significa sucesso espiritual, certo? Não creio. Uma expressão na Bíblia tem em si o significado de sucesso espiritual, é a expressão “bem aventurado” que, por vezes, equivocadamente é traduzido também por “feliz” ou “muito feliz”, mas traz em si, dos originais, o sentido de “bem sucedido”, que avança na caminhada, como o exército que avança no campo de batalha. E esta expressão não tem ligação com aquilo que entendemos de sucesso no mundo em que vivemos, principalmente nas Palavras de nosso Mestre, Jesus.
No Sermão do Monte, Jesus aponta o caminho do sucesso espiritual. Bem aventurados os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que tem fome e sede de justiça, os que sofrem perseguição, que são injuriados e caluniados (Mateus 5. 1-12), e Jesus conclui da seguinte forma: “Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus”, a recompensa nem é aqui, é nos céus. Em outro lugar Jesus diz assim, “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo” (João 16.33), não devemos desanimar com os problemas e dificuldades pelas quais passamos pois Ele passou pior por nós, sem contar que alguns de nossos sofrimentos são consequências de nossos próprios erros.
Então o que a igreja deveria oferecer? Refúgio. O juízo se aproxima, a condenação é certa, a igreja deve ser o refúgio. Como a Arca no dilúvio, a tempestade angustiante bateu por 40 dias, com certeza a chuva não era música para os ouvidos, o pavor dos animais e, até mesmo das pessoas que ali estavam não era colírio para os olhos, mas ali houve refúgio, salvação do Juízo Divino.
A igreja deveria ser local de choro e lamento, choro pelos nossos entes queridos que ainda rejeitam a mensagem de salvação, lamento pelos nossos amigos que desprezam a Palavra de Deus, e por todos os que ignoram o Juízo, pois ele vem. A igreja deve apontar em apenas duas direções, ao Deus Justo e Juiz e ao Cristo Amoroso e Redentor. Ao homem nada mais resta senão morrer, morrer pelos seus pecados herdando a condenação eterna (Apocalipse 20.12-15), ou morrer para os seus pecados, herdando assim a Vida Eterna (João 3.16-18, Romanos 6.23).

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O primeiro Jejum


Em outra ocasião eu havia dito que o primeiro a jejuar teria sido Moisés, conforme o relato bíblico (ver A Origem da prática do Jejum). Meditando sobre outros assuntos cheguei a uma conclusão diferente, o que será abordado mais à frente. Porém quero começar relatando que encontrei em uma de minhas buscas um documento orientando a como começar o seu jejum, sim, um guia detalhado para que você possa praticar o seu jejum de forma correta e alcançar os resultados esperados. Assunto controverso o do jejum porém, creio que não faz de ninguém mais santo, ou que confira algum tipo de crescimento espiritual, mas que tem o seu momento e impacto na vida do crente.
Na era antediluviana não há menção de práticas religiosas como as conhecemos hoje, nem mesmo algumas práticas mencionadas mesmo por Moisés, como sacrifícios, edificação de altares, ou de locais de reunião sacerdotal, o que mais se aproxima disso é a menção em Gênesis 4. 26b que diz: “então se começou a invocar o nome do SENHOR”, o que muitos acreditam tratar do início de um culto a Deus, com prática do sacerdócio familiar, e que, a família de Enos, seus descendentes seriam os “filhos de Deus” citados no capítulo 6 deste mesmo livro.
Conforme as conclusões acima Noé teria sido o primeiro pregador, e de uma mensagem apocalíptica (2Pe 2.5). Noé cuidou de sua família, ainda que a Bíblia não mencione, ele por certo convenceu sua família em relação ao que tinha recebido de Deus. Ele tinha palavras difíceis de se crer, não passariam 120 anos sem que toda a humanidade fosse subvertida por um dilúvio e, que eles deveriam construir uma obra gigantesca que os resguardasse e também a uma boa parte da criação (animais que têm em si o fôlego de vida, Gn 7.15, segundo Adauto Lourenço, que respiram pelas narinas). Noé era então como um pastor naquela igreja familiar e simples.
Creio que, até o momento de entrar na Arca, Noé sentia-se seguro e confiante que aquele que achou graça aos Seus olhos, o guardava, pois o havia dado forças para suportar o trabalho árduo, as chacotas dos incrédulos, a zombaria dos infiéis e, até mesmo, os momentos de dúvidas daqueles que estavam aos seus cuidados. Porém, a partir do momento que entra na Arca, e esta é selada por fora, e começa a chover como nunca antes havia chovido, não consigo imaginar um Noé tranquilo.
Quem já morou em uma casa de telha de amianto fina que, tarde da noite, ao cair da tempestade, o barulho incessante na cabeça, as panelas espalhadas a colher goteiras, o pano na porta pra não entrar a água, que tenha conseguido dormir tranquilo? Noé e sua família nunca tinham visto chuva igual, dava pra ouvi-la no topo da Arca, dava pra sentir o balanço e agitação das águas, a agonia dos animais, e isto por 40 dias. Creio que, ao menos por estes 40 dias, humanamente apavorado, Noé orava e suplicava a Deus pelos que estavam sob sua responsabilidade e pela sua própria vida, pois o que via era resultado de um Deus decepcionado com uma humanidade má e perversa. Não vejo Noé preocupado com comida por todos os dias de chuva, mas orando a Deus, cuidando de sua esposa, de seus filhos e tentando de alguma forma acalmar os animais inquietos.
Depois, por 11 meses e 20 dias, houve descanso. Noé descansou da construção da Arca, descansou de sofrer os infiéis e incrédulos, descansou das dúvidas da esposa e dos filhos, descansou dos animais que, agora, hibernavam em sua maioria. Comeu, bebeu e celebrou a Redenção. Ao sair da Arca constrói o primeiro altar, aqui sim iniciando o culto patriarcal, seguido por Abraão e seus descendentes. Portanto, Noé foi o primeiro a jejuar.